Está na hora do almoço.
Hoje só comi um pão com requeijão.
Pouco alimento relativo à minha fome.
Não há nada na geladeira.
Necessito ir ao supermercado.
Preciso colocar um negativo de 36 fotografias para revelar.
Seria muito melhor se pudesse revelar fotorafias em casa.
Quero adquirir uma tela e algumas canetas para pintar.
Vou entrar na tentativa de expandir meus desenhos.
Sempre vivo tentanto instalar com êxito alguns caros softwares de edição.
Tenho encontrado problemas nos mais caros e conhecidos.
Em meio a todas essas tarefas e ânsias lembro que tenho um blog.
Lembro que espero que um dia eu possa ser lido por muitas pessoas.
Tanto faz se adorado ou odiado, lido.
Ao perceber que há comentários na minha última postagem resolvi escrever algo.
Então me veio a grande idéia besta de relatar todas as coisas que pretendo fazer hoje.
Parando pra pensar todos esses afazeres muito me agradam,
mas será que garantem meu almoço de amanhã?
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Nasci para escrever.
Quando eu era mais novo acreditava mais nisto. Estranho esse escrever. Às vezes áspero e duro, ou fluido e leve em outras vezes. É preciso paz para escrever.
Dentro e fora. Não é preciso de tanta paz fora, como é preciso dentro.
Pensei em fazer outro blog, um com assunto pré-definido. Talvez para falar de arte, do produto dos outros. Mas pra quê dois? Pra ter o que falar quando não tiver o que falar? Basta este canal pra eu ter o que dizer, mesmo que não queira dizer nada.
Passei um bom tempo vendendo minhas horas, só tendo tempo para a escrita no caminho de volta, lendo. Às vezes em pé. Sinto algo. É falta. É saudade de ter tempo para a escrita. É ânsia de escrever todo dia, e transformar os dias em palavras, páginas, memórias alheias... Transformar o verbo em semente de pensamentos, fazendo dos pensamentos frutificarem ações.
É preciso coragem para seguir nosso verdadeiro caminho, pois o mundo parece caminhar em outra direção.
Isto aqui é uma espécie de óleo.
Aquele que inunda a ferrugem seca de tempos parada sob o vento e o sal.
É o escrever que lubrifica. Abrindo caminho para a fluidez.
Imagina a inspiração que brotaria da liberdade plena!
Sempre me preocupo se entendes...
Mentira. Às vezes não me preocupo porque não tenho que me preocupar.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Lentespelhodohomem
Escrever, desenhar, pintar,
falar, gravar, editar,
ressoar, transmitir, sentir,
ver, observar, absorver
Fotografar, na película,
Fotogravar, no cerebelo
Passar adiante
Tantas são as opções
Do homem
Tantos caminhos
A seguir
E tantas as idéias
E tantos os costumes
Indos e vindos
Com ou sem porvir
Os medos
Presentes
Não fogem
Não fogem
Angústia
Animação,
E medo
Não foge!
Tantas escapatórias
Extraordinárias histórias
Experiências de trabalho, palavra, troca
Sábios em atos, letras, artefatos, natureza...
E quando se vê,
o homem...
Quando o homem se vê com ele mesmo,
cara a cara.
Não há nada que valha
Não foge
Não foge
Porque és tu mesmo
Sem espelho,
em carne, osso,
tripas e espírito.
Bota teus sentidos à fora!
Bota teus sentimentos à forra!
E nunca, nunca acredite no desvario dos hípócritas,
aqueles que dizem coisas estúpidas,
eles nada acrescentam.
Na terra que a tudo come
ninguém tem nada a dizer.
Só os sentidos,
Quantos forem precisos.
Conheça a ti,
e saiba conversar contigo.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Ao lado do meu apartamento, de frente à minha janela, sobe um prédio.
Vejo pelo menos doze funcionários martelando, pregando, soldando, cortando, carregando,
FAZENDO BARULHO!
Moro no segundo andar, a obra está abaixo de mim neste momento. No meio há um grande guindaste que simboliza o tamanho do futuro prédio. A marca do guindaste é CEU, e ele aguenta 1t. O guindaste também faz barulhlhlho.
Todo os dias sou acordado por aquela maldita máquina de cortar madeira.
Janelas fechadas.
Liguei a TV na tentativa de maquiar o som que vem de fora. Passo por quase dez canais (coisa fina para uma TV aberta de antena comum). Vi e ouvi muitos trechos. Desses dez canais apenas dois não perturbavam meu sentido de audição. Fiquei na dúvida sobre o que me incomodava mais naquele momento: obra ou TV.
Olhei para o lado, direto para minha coleção de discos.
Dizem que disco é coisa antiga, coisa pesada, coisa sem valor.
O que é velho é tão valorizado por uns, e tão maldito para outros.
Mas no disco não me interessa a idade. O que vale é o seu conteúdo, o importante são
aqueles riscos que ele contém.
O LP se chama "analógico" porque reproduz as vibrações da música analogamente
nas vibrações da agulha.
Fiquei com preguiça de colocar um disco no aparelho de tocar...
Levantei, já na intensão de escrever aqui.
Ontem vi um filme do Eduardo Coutinho, chamado Edifício Master.
Ele entrevista moradores de um edifício de vinte e três apartamentos por andar,
no bairro mais populoso do Rio.
Todos tinham particularidades muito diferentes e alguns chegavam ao irreverente.
Uma jovem falou de escrever como válvula de escape. Acho que por isso estou aqui.
Havia também uma velhinha que tocava teclado e só escutava seus vinis. Dizia que a filha reclamava, falava que vinil não se usava mais, e ela defendia mostrando o valor que aquilo tinha para ela.
O que vale? Quanto vale?
Será que a obra se cala se alguém pedir?
Discos são nada, peça abandonada.
Prédios arranham o céu, e nunca param.
Palavras lidas, palavras esquecidas,
de que valem palavras eletrônicas?
Na TV se vê venda nos olhos inteligentes,
vendo pelos olhos mais leves.
Quem manda? Pessoas, idéias, sistema, Deus?
Será que perguntar vale de alguma coisa,
ou só deixa você na dúvida também?
Me desculpe.
Tenho que ir.
Faltam trinta e cinco minutos para eu entrar no meu trabalho,
e já estou atrasado uma hora e meia.
O trtrtrtrânsito me espera lá fora.
Fones de ouvido me acompanham por aqui.
Vejo pelo menos doze funcionários martelando, pregando, soldando, cortando, carregando,
FAZENDO BARULHO!
Moro no segundo andar, a obra está abaixo de mim neste momento. No meio há um grande guindaste que simboliza o tamanho do futuro prédio. A marca do guindaste é CEU, e ele aguenta 1t. O guindaste também faz barulhlhlho.
Todo os dias sou acordado por aquela maldita máquina de cortar madeira.
Janelas fechadas.
Liguei a TV na tentativa de maquiar o som que vem de fora. Passo por quase dez canais (coisa fina para uma TV aberta de antena comum). Vi e ouvi muitos trechos. Desses dez canais apenas dois não perturbavam meu sentido de audição. Fiquei na dúvida sobre o que me incomodava mais naquele momento: obra ou TV.
Olhei para o lado, direto para minha coleção de discos.
Dizem que disco é coisa antiga, coisa pesada, coisa sem valor.
O que é velho é tão valorizado por uns, e tão maldito para outros.
Mas no disco não me interessa a idade. O que vale é o seu conteúdo, o importante são
aqueles riscos que ele contém.
O LP se chama "analógico" porque reproduz as vibrações da música analogamente
nas vibrações da agulha.
Fiquei com preguiça de colocar um disco no aparelho de tocar...
Levantei, já na intensão de escrever aqui.
Ontem vi um filme do Eduardo Coutinho, chamado Edifício Master.
Ele entrevista moradores de um edifício de vinte e três apartamentos por andar,
no bairro mais populoso do Rio.
Todos tinham particularidades muito diferentes e alguns chegavam ao irreverente.
Uma jovem falou de escrever como válvula de escape. Acho que por isso estou aqui.
Havia também uma velhinha que tocava teclado e só escutava seus vinis. Dizia que a filha reclamava, falava que vinil não se usava mais, e ela defendia mostrando o valor que aquilo tinha para ela.
O que vale? Quanto vale?
Será que a obra se cala se alguém pedir?
Discos são nada, peça abandonada.
Prédios arranham o céu, e nunca param.
Palavras lidas, palavras esquecidas,
de que valem palavras eletrônicas?
Na TV se vê venda nos olhos inteligentes,
vendo pelos olhos mais leves.
Quem manda? Pessoas, idéias, sistema, Deus?
Será que perguntar vale de alguma coisa,
ou só deixa você na dúvida também?
Me desculpe.
Tenho que ir.
Faltam trinta e cinco minutos para eu entrar no meu trabalho,
e já estou atrasado uma hora e meia.
O trtrtrtrânsito me espera lá fora.
Fones de ouvido me acompanham por aqui.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Saquarema

Poema feito em homenagem à cidade onde não nasci, mas onde muito aprendi e muito me inspirei em frente ao seu mar sagrado. Esse é o único poema que sei de cor ("de coração", "by heart")
Saquarema
Cidade dos mares
Mesmo se contares
Não daria finito
Lugar de bons ares
Ar de bons lugares
Tudo é mais bonito
Vila pequena
Vida serena
Na rua ou nos lares
Pela mãe do bendito
Abençoada é
Tudo nela é questão de fé
Não há raio que parta
Nem vento que derrube
Saquarema de Nazaré!
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Computador
"O que faz computações, calculista" (Dicionário contemporâneo da Língua Portuguesa)
Termo antigo, referindo-se a pessoas.
"Máquina destinada ao processamento de dados" (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)
Novo termo, utilizado para a máquina em questão.
__________
Me assusta, depois de andar de manhã, vendo a paisagem que cerca o Rio,
sentar aqui, ligar a máquina, esperar e abrir a janela de luz artificial.
Me assustam as possibilidades dessa máquina, e me assusta a rapidez de sua evolução.
Me preocupam as milhares de pessoas que nesse momento estão conectadas pelos sites
de relacionamento, enquanto não sabem se expressar para a pessoa que está do lado fisicamente.
Penso na falta de tempo que muitos dizem que tem, penso na ajuda que muitos precisam,
muitos que nem sabem que há campanhas de ajuda para eles na rede.
Não basta dizer #amor pra que ele venha venha pelo sedex 10, com frete grátis.
No mundo real, o lá de fora, a vida é mais difícil. Mas não é só para gozar que viemos para a Terra. Se fosse para isso teriam nos mandado para um lugar melhor.
É lá fora que aprendo a fazer do nosso lugar um lugar melhor, e de mim uma pessoa melhor.
Lá posso escolher para onde olho. Lá não tenho tela em minha frente.
A máquina como ferramenta é uma das maravilhas modernas do ser-humano.
Muito se aprende por ela. Nos mostra a música, a literatura, as dúvidas do dia-a-dia, as receitas, cifras, fotografias, vídeos aos milhares, basta digitar algumas palavras Enter.
É a sublime diferença entre nós e os macacos. O que acontece é que nem os humanos e nem os macacos aprenderam a usá-la como sinto que se deve. Porque antes de usar a máquina, devemos ter ideais. Senão somos dominados facilmente por ela. E como ela se comunica em rede, sou afetado por todas as pessoas que usam a máquina de forma duvidosa.
Aqui, de frente pra janela, as windows que se abrem trazem subwindows de informações desnecessárias para minha vida e interessante para o bolso de alguns.
Coisas impostas não são bem-vindas. O ser humano está capacitado para aprender através do exemplo, da experiência passada com respeito e carinho.
Só a natureza tem o direito de impor. A natureza impõe respeito demonstrando a vida e a união. O homem tenta impor com a força bruta, e está hoje aprendendo a dominar com o entretenimento e alienar usando modos sutis.
Monitores. Redes. Globalização.
Ver Butão no mapa com fotos de satélite não é o mesmo
que pisar em Butão, sentir o ar de Butão, olhar nos olhos de quem mora em Butão.
Cuidado, "internet", vê bem por onde pisa
Nós te dominamos, você não me domina
Gosto de você, mas se controle, por favor,
Se me zango, digo não...
e ah! se o mar virar sertão!
Termo antigo, referindo-se a pessoas.
"Máquina destinada ao processamento de dados" (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)
Novo termo, utilizado para a máquina em questão.
__________
Me assusta, depois de andar de manhã, vendo a paisagem que cerca o Rio,
sentar aqui, ligar a máquina, esperar e abrir a janela de luz artificial.
Me assustam as possibilidades dessa máquina, e me assusta a rapidez de sua evolução.
Me preocupam as milhares de pessoas que nesse momento estão conectadas pelos sites
de relacionamento, enquanto não sabem se expressar para a pessoa que está do lado fisicamente.
Penso na falta de tempo que muitos dizem que tem, penso na ajuda que muitos precisam,
muitos que nem sabem que há campanhas de ajuda para eles na rede.
Não basta dizer #amor pra que ele venha venha pelo sedex 10, com frete grátis.
No mundo real, o lá de fora, a vida é mais difícil. Mas não é só para gozar que viemos para a Terra. Se fosse para isso teriam nos mandado para um lugar melhor.
É lá fora que aprendo a fazer do nosso lugar um lugar melhor, e de mim uma pessoa melhor.
Lá posso escolher para onde olho. Lá não tenho tela em minha frente.
A máquina como ferramenta é uma das maravilhas modernas do ser-humano.
Muito se aprende por ela. Nos mostra a música, a literatura, as dúvidas do dia-a-dia, as receitas, cifras, fotografias, vídeos aos milhares, basta digitar algumas palavras Enter.
É a sublime diferença entre nós e os macacos. O que acontece é que nem os humanos e nem os macacos aprenderam a usá-la como sinto que se deve. Porque antes de usar a máquina, devemos ter ideais. Senão somos dominados facilmente por ela. E como ela se comunica em rede, sou afetado por todas as pessoas que usam a máquina de forma duvidosa.
Aqui, de frente pra janela, as windows que se abrem trazem subwindows de informações desnecessárias para minha vida e interessante para o bolso de alguns.
Coisas impostas não são bem-vindas. O ser humano está capacitado para aprender através do exemplo, da experiência passada com respeito e carinho.
Só a natureza tem o direito de impor. A natureza impõe respeito demonstrando a vida e a união. O homem tenta impor com a força bruta, e está hoje aprendendo a dominar com o entretenimento e alienar usando modos sutis.
Monitores. Redes. Globalização.
Ver Butão no mapa com fotos de satélite não é o mesmo
que pisar em Butão, sentir o ar de Butão, olhar nos olhos de quem mora em Butão.
Cuidado, "internet", vê bem por onde pisa
Nós te dominamos, você não me domina
Gosto de você, mas se controle, por favor,
Se me zango, digo não...
e ah! se o mar virar sertão!
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Sobre o presente, nosso bem mais precioso
Quanto tempo é preciso?
Tem tempo de pensar, de saber?
Vida?
Viver saber que vive
viver viver apenas
viver borboleta, chinês, macaco, mato
Agora
nosso dever, nossa ira
Passado futuro, lendas.
planos, histórias
quem vive
quem chora
quem olha,
só no agora!
Sangue carece coração
Enlouquece são
Permanece vida
No obscuro achamos verdade
Escondida, renegada, orfã
Escuro-mente, escuro-espírito
Caminhar por cometas
Passear pelos anseios
Glóbulos e Sóis
Tão grandes e pequenos
Gigante, se juntos.
Não há fim para a energia
Na luz tudo há
a todo momento presente.
Palavras tem valor que lhes dão
Mais, nada impõem.
03 de julho 2010
Tiago Bravo Quintes
Tem tempo de pensar, de saber?
Vida?
Viver saber que vive
viver viver apenas
viver borboleta, chinês, macaco, mato
Agora
nosso dever, nossa ira
Passado futuro, lendas.
planos, histórias
quem vive
quem chora
quem olha,
só no agora!
Sangue carece coração
Enlouquece são
Permanece vida
No obscuro achamos verdade
Escondida, renegada, orfã
Escuro-mente, escuro-espírito
Caminhar por cometas
Passear pelos anseios
Glóbulos e Sóis
Tão grandes e pequenos
Gigante, se juntos.
Não há fim para a energia
Na luz tudo há
a todo momento presente.
Palavras tem valor que lhes dão
Mais, nada impõem.
03 de julho 2010
Tiago Bravo Quintes
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